sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Todos os Nomes - José Saramago

Sugestão de Leitura

Todos os Nomes - José Saramago

A obra todos os nomes foi publicada em 1997, o protagonista é José, (o único personagem da obra que possui nome), um homem de meia idade, auxiliar de escrita sem a menor expressão, muito dedicado ao seu trabalho e que mora em uma casa geminada à Conservatória Geral do Registo Civil, onde trabalha. Cultiva a mania de colecionar notícias de jornais e revistas sobre gente famosa. Um dia reconhece a falta, nas suas coleções a partir das pastas existentes na Conservatória, de informações exatas sobre o nascimento (data, naturalidade, nome dos pais, etc.) dessas pessoas. Ao completar os dados dos personagens de sua coleção, ele encontra um verbete com o nome de uma mulher, completamente desconhecida. A partir daí, parte em uma busca incansável para descobrir quem é essa mulher, o que acaba por afetar sua maneira de ser e sua identidade se (re)constrói. A história se passa por diversos lugares, sendo os quatro principais: a Conservatória, a escola, a cidade e o cemitério. A Conservatória e o cemitério são os espaços onde é registrado o que a sociedade julga importante a passagem do homem por este mundo as aspectos da vida e a morte. Tanto a Conservatória como o Cemitério tenham fachadas iguais, podendo ainda ambas ter como divisa "Todos os Nomes". Porém esse fato não parece ser suficiente para encerrar a trajetória dessa personagem. O leitor assim como a personagem de José se surpreende com o final da história. Acatando uma sugestão de seu próprio Chefe, o Sr. José volta a Conservatória e ele fará reviver, por meio de um falso registro, a mulher que motivou todas as suas ações, do mesmo modo que uma falsa credencial foi o primeiro índice crucial para sua trajetória de investigação. A partir dessa ação se percebe que o enredo é um romance cíclico.
Trechos da obra:
“Conheces o nome que te deram, não o nome que tens” (Livro das Evidências).
“Tinha procurado a mulher desconhecida por toda a parte, e veio encontrá-la aqui, debaixo daquele montículo de terra que as ervas bravas não tardarão a tapar A mulher está, pois, ali, fecharam-se para ela todos os caminhos do mundo, andou o que tinha de andar, parou onde quis, ponto final, porém o Sr. José não consegue libertar-se duma ideia fixa, a de que mais ninguém, a não ser ele, poderá mover a derradeira pedra que ficou no tabuleiro, a pedra definitiva, aquela que, se for movida na direcção certa, virá a dar sentido real ao jogo, sob pena, não o fazendo, de o deixar empatado para a eternidade”.  SARAMAGO, 1997 (p.235-236).
Sobre o escritor
José Saramago possui um estilo próprio de escrever, principalmente pela sua pontuação dentro da obra, visto que visualiza a história com um distanciamento do discurso conhecido o que possibilita sua persuasão crítica na qual combina o gênero ensaio e romance perpassando a fronteira entre realidade e ficção.
                                      Boa Leitura!

                                                                                                       Por: Rafaela Lotici Gonçalves da Silva

Canto dos Malditos - Austregésilo Carrano Bueno


                                         Canto dos Malditos 
                                                                                Austregésilo Carrano Bueno
Em 1974, então com 17 anos, era usuário de maconha e outros medicamentos de uso restrito. Quando o pai de Austregésilo encontrou alguns cigarros de maconha no bolso de uma jaqueta do filho, resolveu interná-lo em um hospital psiquiátrico para tratar de seu vício.
Em um período de três anos, Austregésilo foi transferido de um hospital a outro com supostos problemas comportamentais sem ao menos ter sido examinado, tendo sido submetido a torturas e eletrochoques (totalizando 21 sessões). Isso durou até que, desesperado, ateou fogo em sua própria cela, sendo retirado a tempo. O ato despertou seu pai, que o tirou do manicômio. Desajustado pelos eletrochoques, pela sedação pesada e pelas torturas variadas, ele acabou sofrendo também nas mãos da polícia, que lhe proporcionou doses extras de humilhação e espancamento.
O autor foi a primeira pessoa no Brasil a mover uma ação indenizatória por erros de diagnóstico, tratamentos torturantes e crimes contra médicos psiquiatras, em 13 de maio de 1998. Porém, foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná a pagar a médicos psiquiatras e seus familiares 60 mil reais de indenização por danos morais devido a críticas aos médicos contidas em seu livro.

Uma segunda ação, agora por parte das famílias dos médicos mencionados em seu livro, conseguiu que O Canto dos Malditos fosse retirado de circulação das lojas e livrarias de todo o país. Foi a primeira obra a ser censurada no país desde a ditadura militar. Entretanto, recentemente a decisão pela proibição foi revista e a circulação novamente permitida. O livro Canto dos Malditos serviu de inspiração para o filme Bicho de Sete Cabeças, do ano de 2000, dirigido por Laís Bodanzky e com roteiro de Luiz Bolognesi.




                                                                                         Por Tania Santor

História na literatura de Jorge Amado

Tocaia Grande

       Publicado em 1984, Tocaia Grande descreve o processo de formação de uma cidade nordestina, nascida sob o signo da violência e da disputa de terras, em inícios do século XX. 
       Depois de liderar uma tocaia contra o oponente de seu patrão, o jagunço Natário da Fonseca recebe alguns alqueires próximos ao palco da matança, onde passa a cultivar cacau. A chegada de comerciantes, prostitutas, tropeiros e ex-escravos ao local dá vida e contornos ao arraial. 
      Personagens fortes, independentes e solitários - como a cafetina Jacinta Coroca; o negro Castor Abduim, conhecido como Tição Aceso, e o comerciante libanês Fadul Abdala encontram em Tocaia Grande um refúgio e o conforto da amizade. 
       Com a prosa leve e bem-humorada de sempre, Jorge Amado relata a união profunda e os laços de afeto que se desenvolvem entre os habitantes de Tocaia Grande, e que serão responsáveis pelo crescimento do povoado e por sua resistência à pressão da Igreja e do poder político-econômico para se enquadrar no sistema coronelista.

sábado, 5 de dezembro de 2015

A varanda do Frangipani de Mia Couto


A história de A varanda do frangipani se passa vinte anos após a Independência,depois dos acordos de paz de 1992.
O romance é narrado pelo carpinteiro Ermelindo Mucanga, que morreu às vésperas da Independência, quando trabalhava nas obras de restauro da Fortaleza de S. Nicolau, onde funciona um asilo para velhos. Ele é um "xipoco", um fantasma que vive numa cova sob a árvore de frangipani na varanda da fortaleza colonial. 

As autoridades do país querem transformar Mucanga em herói nacional, mas ele pretende, ao contrário, morrer definitivamente. Para tanto, precisa "remorrer". Então, seguindo conselho de seu pangolim (uma espécie de tamanduá africano), encarna no inspetor de polícia Izidine Naíta, que está a caminho da Fortaleza para investigar a morte do diretor. 
Mais de vinte anos depois da independência de Moçambique, quando a guerra civil já arrefeceu, a Fortaleza é um lugar em que convergem heranças, memórias e contradições de um país novo e ao mesmo tempo profundamente ligado às tradições e aos mitos ancestrais. Da sua varanda se pode enxergar o horizonte. O romance de Mia Couto esboça, assim, uma saída utópica para um país em reconstrução.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

São Bernardo - Graciliano Ramos (1892-1953)


      Por Gilberto Gesser (PIBID - Letras/UFFS)


        A obra São Bernardo (1932) foi escrita na cidade de Palmeira dos Índios, no estado de Alagoas, pelo famoso escritor alagoano Graciliano Ramos de Oliveira, autor também de Vidas Secas (1938). São Bernardo é protagonizada pelo personagem Paulo Honório, narrador-personagem que conta toda a sua vida através de um livro intitulado com o mesmo nome de sua fazenda, São Bernardo, que é a maior conquista de sua vida. A história narrada no livro poderia ser chamada de uma autobiografia de Paulo Honório, pois ela começa contando sua história no presente e volta no passado iniciando sua narração desde sua infância até chegar ao ponto onde se encontra no presente. Relatando todas as suas conquistas, privações e decepções. Honório se coloca como um herói fracassado, pois apesar de nunca admitir que tenha cometido erros na sua vida, acha que falhou e fica decepcionado. Apesar de ser uma história um pouco melancólica, São Bernardo é uma obra que envolve o leitor, levando-o a odiar esse protagonista problemático, ou até mesmo a compreendendo-lo. 
 Boa Leitura!